Como os equilíbrios físicos, todos os equilíbrios químicos são dinâmicos. Dizer que o equilíbrio químico é dinâmico significa dizer que, quando uma reação atingiu o equilíbrio, as reações direta e inversa continuam a ocorrer, mas os reagentes e os produtos estão sendo consumidos e recuperados com a mesma velocidade. O resultado é que a composição da mistura de reação permanece constante. Do ponto de vista termodinâmico, no equilíbrio não existe a tendência de formar mais reagentes ou mais produtos.


3F.1aA reversibilidade das reações

Algumas reações, como a reação explosiva entre o hidrogênio e o oxigênio, parecem se completar, mas outras aparentemente param em um estágio inicial. Por exemplo, considere a reação que ocorre quando nitrogênio e hidrogênio são aquecidos sob pressão na presença de uma pequena quantidade de ferro: NX2(g)+3HX2(g)Fe2NHX3(g) \ce{ N2(g) + 3 H2(g) ->[Fe] 2 NH3(g) } No início, a reação produz amônia rapidamente, mas depois parece parar (Fig. 1). Como o gráfico mostra, mesmo que você espere um longo tempo, não mais ocorrerá formação de produto. O que realmente acontece quando a formação da amônia parece parar é que a velocidade da reação inversa, 2NHX3(g)FeNX2(g)+3HX2(g) \ce{ 2 NH3(g) ->[Fe] N2(g) + 3 H2(g) } aumenta à medida que mais amônia se forma. A reação atinge o equilíbrio quando a amônia se decompõe na mesma velocidade em que é formada. O estado de equilíbrio dinâmico é expresso, como na discussão sobre equilíbrios físicos, substituindo a seta da equação pelos arpões que indicam o equilíbrio: NX2(g)+3HX2(g)Fe2NHX3(g) \ce{ N2(g) + 3 H2(g) <=>[Fe] 2 NH3(g) }

(a) Na síntese da amônia, as concentrações de \ce{N2} e de \ce{H2} decrescem e a de \ce{NH3} aumenta com o tempo, até que finalmente elas atingem valores correspondentes a uma mistura na qual os três estão presentes e não ocorrem outras mudanças aparentes. (b) Se o experimento for repetido com \ce{NH3} pura, ela se decompõe até atingir a composição de uma mistura de \ce{N2}, \ce{H2} e \ce{NH3}. (Os dois gráficos correspondem a experimentos feitos em duas temperaturas diferentes; logo, eles correspondem a duas composições diferentes no equilíbrio.)
Figura

Os equilíbrios dinâmicos são equilíbrios ativos, no sentido de reagirem a mudanças de temperatura e pressão e à adição ou remoção de uma quantidade de reagente, por menor que seja.

Ponto para pensar

Você pode pensar em um experimento que mostre que um equilíbrio químico é dinâmico? Pense em usar isótopos radioativos.

Uma reação que não está ocorrendo (como a mistura de hidrogênio e oxigênio na temperatura e pressão normais) tem uma composição que não responde a pequenas mudanças das condições e, portanto, não está em equilíbrio.

As reações químicas atingem um estado de equilíbrio dinâmico no qual a velocidade das reações direta e inversa é a mesma e não há mudança de composição.

3F.1bO equilíbrio e a lei da ação das massas

Em 1864, os noruegueses Cato Guldberg e Peter Waage descobriram a relação matemática que sumaria a composição de uma mistura de reação em equilíbrio. Como um exemplo do trabalho deles, considere a reação entre SOX2\ce{SO2} e OX2\ce{O2}: 2SOX2(g)+OX2(g)2SOX3(g) \ce{ 2 SO2(g) + O2(g) <=> 2 SO3(g) } Diversas misturas dos três gases com composições iniciais diferentes foram preparadas e atingiram o equilíbrio em 1000 K\pu{1000 K}.

A composição das misturas no equilíbrio e a pressão total, PP, foram determinadas. Guldberg e Waage notaram uma relação extraordinária. Eles descobriram que o valor da quantidade: K=(PSOX3P)2(PSOX2P)2(POX2P) K = \dfrac{ \left(\dfrac{P_{\ce{SO3}}}{P^\circ}\right)^2 }{ \left(\dfrac{P_{\ce{SO2}}}{P^\circ}\right)^2 \left(\dfrac{P_{\ce{O2}}}{P^\circ}\right) } era a mesma em todos os experimentos, independentemente das composições iniciais. Aqui, PXP_{\ce{X}} é a pressão parcial do gás XX no equilíbrio e P=1 barP^\circ = \pu{1 bar} é a pressão padrão.

Atenção

Observe que KK não tem unidades, porque as unidades de PXP_{\ce{X}} são canceladas pelas unidades de PP^\circ em todos os termos.

Deste ponto em diante, essa expressão será escrita de forma mais simples, como: K=(PSOX3)2(PSOX2)2POX2 K = \dfrac{ (P_{\ce{SO3}})^2 }{ (P_{\ce{SO2}})^2 P_{\ce{O2}} } em que PXP_{\ce{X}} é tomado como o valor numérico da pressão parcial de X\ce{X} em bar. Guldberg e Waage obtiveram o mesmo valor de KK no equilíbrio para todas as composições iniciais da mistura de reação. Esse importante resultado mostra que KK é característico da composição da mistura de reação no equilíbrio, em uma dada temperatura. KK é a constante de equilíbrio da reação.

Os equilíbrios em fase gasosa

A lei de ação das massas resume esse resultado. Para uma reação entre gases ideais, a constante KK é característica da reação em uma dada temperatura: aA(g)+bB(g)cC(g)+dD(g)K=(PC)c(PD)d(PA)a(PB)b \ce{ a A(g) + b B(g) <=> c C(g) + d D(g) } \quad \boxed{ K = \dfrac{ (P_{\ce{C}})^c (P_{\ce{D}})^d }{ (P_{\ce{A}})^a (P_{\ce{B}})^b } } em que PXP_{\ce{X}} representa os valores numéricos das pressões parciais (em bar) no equilíbrio. Observe que:

  • Os produtos aparecem no numerador e os reagentes, no denominador.
  • Cada valor de pressão parcial é elevado a uma potência igual ao coeficiente estequiométrico da equação química.

Os equilíbrios com líquidos e sólidos

Os equilíbrios químicos em que todos os reagentes e produtos estão na mesma fase são chamados de equilíbrios homogêneos. Os equilíbrios em sistemas com mais de uma fase são chamados de equilíbrios heterogêneos. Um exemplo é a reação de decomposição do carbonato de cálcio: CaCOX3(s)CaO(s)+COX2(g)K=PCOX2 \ce{ CaCO3(s) <=> CaO(s) + CO2(g) } \quad K = P_{\ce{CO2}} Esse equilíbrio é heterogêneo, já que existe uma fase gás e uma fase sólida. Ainda que CaCOX3(s)\ce{CaCO3(s)} e CaO(s)\ce{CaO(s)} participem do equilíbrio eles não aparecem na expressão da constante de equilíbrio.

  • Os líquidos puros ou os sólidos não devem aparecer em KK.

Os equilíbrios em solução

Uma medida diferente de concentração é usada para escrever as expressões das constantes de equilíbrio de reações que envolvem espécies em solução. Assim, para uma substância X\ce{X} que forma uma solução ideal, a pressão parcial na expressão de KK é substituída pela molaridade [X]\ce{[X]} relativa à molaridade-padrão c=1 molL1c^\circ = \pu{1 mol.L-1}. CHX3Br(aq)+OHX(aq)CHX3OH(aq)+BrX(aq)K=[CHX3OH][BrX][CHX3Br][OHX] \ce{ CH3Br(aq) + OH^-(aq) <=> CH3OH(aq) + Br^-(aq) } \quad K = \dfrac{\ce{[CH3OH]} \ce{[Br^-]}}{\ce{[CH3Br]} \ce{[OH^-]}} Embora KK devesse ser escrito em termos da razão sem dimensões [X]/c\ce{[X]}/c^\circ, é comum escrever KK em termos somente de [X]\ce{[X]} e interpretar cada [X]\ce{[X]} como a concentração sem as unidades molL1\pu{mol.L-1}.

Algumas reações em solução envolvem o solvente como reagente ou produto. Quando a solução é muito diluída, a variação de concentração do solvente em virtude da reação é insignificante: CX12HX22OX11(aq)+HX2O(l)2CX6HX12OX6(aq)K=[CX6HX12OX6]X2[CX12HX22OX11] \ce{ C12H22O11(aq) + H2O(l) <=> 2 C6H12O6(aq) } \quad K = \dfrac{\ce{[C6H12O6]^2}}{\ce{[C12H22O11]}}

  • O solvente é tratado como um líquido puro e ignorado ao escrever KK.

Um último ponto a considerar é que, quando uma reação envolve compostos iônicos completamente dissociados em solução. As concentrações dos íons espectadores se cancelam e não aparecem na expressão do equilíbrio. Por exemplo, para a reação: HCl(aq)+NaOH(aq)NaCl(s)+HX2O(l) \ce{ HCl(aq) + NaOH(aq) <=> NaCl(s) + H2O(l) } A constante de equilíbrio deve ser escrita para a reação iônica simplificada como: HX+(aq)+OHX(aq)HX2O(l)K=[HX+][OHX] \ce{ H^+(aq) + OH^-(aq) <=> H2O(l) } \quad K = \ce{[H^+]}\ce{[OH^-]}

  • A constante de equilíbrio deve ser escrita para a equação iônica simplificada, usando a atividade de cada tipo de íon.

A atividade química

Essas regras empíricas podem ser resumidas pela introdução do conceito de atividade, aXa_{\ce{X}}, de uma substância X\ce{X} (Tab. 1). O uso de atividades facilita escrever uma expressão geral para a constante de equilíbrio de qualquer reação. Para uma reação generalizada, sem identificar as fases: aA+bBcC+dDK=(aC)c(aD)d(aA)a(aB)b \ce{a A + b B <=> c C + d D } \quad \boxed{ K = \dfrac{ (a_{\ce{C}})^c (a_{\ce{D}})^d }{ (a_{\ce{A}})^a (a_{\ce{B}})^b } } Note que todas as atividades são números puros e, portanto, não têm unidades. Quando usamos a forma simplificada da constante de equilíbrio, a atividade é o valor numérico da pressão em bars ou o valor numérico da concentração molar em mols por litro. Como as atividades são adimensionais, KK também é.

Tabela
Atividades químicas
SubstânciaAtividadeSimplificado
gás idealaX=PX/Pa_{\ce{X}} = P_{\ce{X}}/P^\circaX=PXa_{\ce{X}} = P_{\ce{X}}
soluto diluídoaX=[X]/ca_{\ce{X}} = \ce{[X]}/c^\circaX=[X]a_{\ce{X}} = \ce{[X]}
solventeaX=1a_{\ce{X}} = 1aX=1a_{\ce{X}} = 1
sólido ou líquidoaX=1a_{\ce{X}} = 1aX=1a_{\ce{X}} = 1

As constantes de equilíbrio das reações heterogêneas também são dadas pela expressão geral da Eq. 2. Porém, lembre que a atividade dos sólidos ou dos líquidos puros é 1. Por exemplo, para a reação: Ca(OH)X2(s)CaX2+(aq)+2OHX(aq) \ce{ Ca(OH)2(s) <=> Ca^{2+}(aq) + 2 OH^-(aq) } A constante de equilíbrio é: K=aCaX2+(aOHX)2aCaO(OH)X21 para um soˊlido puro=[CaX2+][OHX]X2 K = \dfrac{ a_{\ce{Ca^{2+}}} (a_{\ce{OH^-}})^2 }{ \underbrace{ a_{\ce{CaO(OH)2}} }_{ \text{1 para um sólido puro} } } = \ce{ [Ca^{2+}][OH^-]^2 } É importante observar que o hidróxido de cálcio tem de estar presente para que o equilíbrio se estabeleça, mas ele não aparece na expressão da constante de equilíbrio.

Exemplo 1
Expressão da constante de equilíbrio

Escreva a expressão da constante de equilíbrio das reações:

  1. NX2(g)+3HX2(g)2NHX3(g)\ce{ N2(g) + 3 H2(g) <=> 2 NH3(g) }
  2. Ni(s)+4CO(g)Ni(CO)X4(g)\ce{ Ni(s) + 4 CO(g) <=> Ni(CO)4(g) }
  3. NaF(aq)+HX2O(l)HF(aq)+NaOH(aq)\ce{ NaF(aq) + H2O(l) <=> HF(aq) + NaOH(aq) }
  4. Zn(s)+2HCl(aq)ZnClX2(aq)+HX2(g)\ce{ Zn(s) + 2 HCl(aq) <=> ZnCl2(aq) + H2(g) }
Etapa 1.(a) Escreva a constante de equilíbrio em fase gasosa.

K=(aNHX3)2aNX2(aHX2)3=(PNHX3)2PNX2(PHX2)3 K = \dfrac{ (a_{\ce{NH3}})^2 }{ a_{\ce{N2}} (a_{\ce{H2}})^3 } = \dfrac{ (P_{\ce{NH3}})^2 }{ P_{\ce{N2}} (P_{\ce{H2}})^3 }

Etapa 2.(b) Escreva a constante de equilíbrio heterogêneo.

K=aNi(CO)X4aNi(aCO)4=PNi(CO)X4(PCO)4 K = \dfrac{ a_{\ce{Ni(CO)4}} }{ a_{\ce{Ni}} (a_{\ce{CO}})^4 } = \dfrac{ P_{\ce{Ni(CO)4}} }{ (P_{\ce{CO}})^4 }

Etapa 3.(c) Escreva a constante de equilíbrio para a reação iônica simplificada.

K=aHFaOHXaFXaHX2O=[HF][OHX][FX] K = \dfrac{ a_{\ce{HF}} a_{\ce{OH^-}} }{ a_{\ce{F^-}} a_{\ce{H2O}} } = \frac{ \ce{[HF]} \ce{[OH^-]} }{ \ce{[F^-]} }

Etapa 4.(d) Escreva a constante de equilíbrio heterogêneo para a reação iônica simplificada.

K=aHX2aZnX2+(aHX+)2aZn=PHX2[ZnX2+][HX+]2 K = \dfrac{ a_{\ce{H2}} a_{\ce{Zn^{2+}}} }{ (a_{\ce{H^+}})^2 a_{\ce{Zn}} } = \dfrac{ P_{\ce{H2}} \ce{[Zn^{2+}]} }{ \ce{[H^+]}^2 }

Cada reação tem sua constante de equilíbrio característica, com um valor que só pode ser alterado pela variação da temperatura. O resultado empírico extraordinário, que será explicado nas próximas duas seções, é que, independentemente da composição inicial de uma mistura de reação, a composição tende a se ajustar até que as atividades levem ao valor característico de KK daquela reação, naquela temperatura.

A composição de uma mistura de reação no equilíbrio é descrita pela constante de equilíbrio.

3F.1cAs formas alternativas da constante de equilíbrio

O equilíbrio dinâmico atingido na síntese da amônia pode ser expresso de diversas maneiras: NX2(g)+3HX2(g)2NHX3(g) \ce{ N2(g) + 3 H2(g) <=> 2 NH3(g) } ou 4NHX3(g)2NX2(g)+6HX2(g) \ce{ 4 NH3(g) <=> 2 N2(g) + 6 H2(g) } Cada versão gera um valor diferente de KK. Talvez exista uma boa razão para escolher uma versão e não a outra e, então, é necessário converter um valor tabulado para uma versão em um valor para a versão necessária.

Os múltiplos da equação química

As potências a que são elevadas as atividades na expressão das constantes de equilíbrio devem ser iguais aos coeficientes estequiométricos da equação química, normalmente escritos com os menores coeficientes estequiométricos inteiros. Portanto, se os coeficientes estequiométricos de uma equação química forem multiplicados por um fator, então a constante de equilíbrio deve refletir essa mudança. Por exemplo, em 500 K,\pu{500 K}, HX2(g)+IX2(g)2HI(g)K1=(PHI)2PHX2PIX2=160 \ce{ H2(g) + I2(g) <=> 2 HI(g) } \quad K_1 = \dfrac{ (P_{\ce{HI}})^2 }{ P_{\ce{H2}} P_{\ce{I2}} } = 160 Suponha que a equação original da reação seja multiplicada por dois: 2HX2(g)+2IX2(g)4HI(g)K2 \ce{ 2 H2(g) + 2 I2(g) <=> 4 HI(g) } \quad K_2 Nesse caso, a expressão da constante de equilíbrio torna-se: K2=(PHI)4(PHX2)2(PIX2)2=K12=1602 K_2 = \dfrac{ (P_{\ce{HI}})^4 }{ (P_{\ce{H2}})^2 (P_{\ce{I2}})^2 } = K_1^2 = 160^2

  • Se uma equação química é multiplicada por um fator NN, KK é elevado à NN-ésima potência.

A equação original da reação pode ser invertida: 2HI(g)HX2(g)+IX2(g)K3 \ce{ 2 HI(g) <=> H2(g) + I2(g) } \quad K_3 Essa equação ainda descreve o mesmo equilíbrio, mas escrevemos sua constante de equilíbrio como: K3=PHX2PIX2(PHI)2=1K1=1160 K_3 = \dfrac{ P_{\ce{H2}} P_{\ce{I2}} }{ (P_{\ce{HI}})^2 } = \dfrac{1}{K_1} = \dfrac{1}{160}

  • A constante de um equilíbrio para uma direção é o inverso da constante do equilíbrio da equação escrita na direção oposta.

Como esses exemplos mostram, é importante especificar a equação química a que a constante de equilíbrio se refere.

As equações compostas

Em alguns casos, uma equação química pode ser expressa como a soma de duas ou mais equações químicas. Por exemplo, considere as três reações em fase gás: 2P(g)+3ClX2(g)2PClX3(g)K1=(PPClX3)2(PP)2(PClX2)3PClX3(g)+ClX2(g)PClX5(g)K2=PPClX3PPClX3PClX22P(g)+5ClX2(g)2PClX5(g)K3=(PPClX3)2(PP)2(PClX2)5 \begin{aligned} \ce{ 2 P(g) + 3 Cl2(g) &<=> 2 PCl3(g) } && K_1 = \dfrac{ (P_{\ce{PCl3}})^2 }{ (P_{\ce{P}})^2 (P_{\ce{Cl2}})^3 } \\ \ce{ PCl3(g) + Cl2(g) &<=> PCl5(g) } && K_2 = \dfrac{ P_{\ce{PCl3}} }{ P_{\ce{PCl3}} P_{\ce{Cl2}} } \\ \ce{ 2 P(g) + 5 Cl2(g) &<=> 2 PCl5(g) } && K_3 = \dfrac{ (P_{\ce{PCl3}})^2 }{ (P_{\ce{P}})^2 (P_{\ce{Cl2}})^5 } \end{aligned} A terceira reação é a soma das duas primeiras reações (a segunda foi multiplicada pelo fator 2): 2P(g)+3ClX2(g)2PClX3(g)2PClX3(g)+2ClX2(g)2PClX5(g)2P(g)+5ClX2(g)2PClX5(g) \begin{aligned} \ce{ 2 P(g) + 3 Cl2(g) &<=> 2 PCl3(g) } \\ \ce{ 2 PCl3(g) + 2 Cl2(g) &<=> 2 PCl5(g) } \\[1ex] \hline \\[-2ex] \ce{ 2 P(g) + 5 Cl2(g) &<=> 2 PCl5(g) } \end{aligned} e a constante de equilíbrio, K3K_3, da reação global pode ser escrita como o produto das constantes de equilíbrio das duas reações que, somadas, dão a reação global. K3=(PPClX3)2(PP)2(PClX2)5=(PPClX3)2(PP)2(PClX2)3K1×(PPClX3)2(PP)2(PClX2)2K22=K1K22 K_3 = \dfrac{ (P_{\ce{PCl3}})^2 }{ (P_{\ce{P}})^2 (P_{\ce{Cl2}})^5 } = \overbrace{ \dfrac{ (P_{\ce{PCl3}})^2 }{ (P_{\ce{P}})^2 (P_{\ce{Cl2}})^3 } }^{ K_1 } \times \overbrace{ \dfrac{ (P_{\ce{PCl3}})^2 }{ (P_{\ce{P}})^2 (P_{\ce{Cl2}})^2 } }^{ K_2^2 } = K_1 K_2^2

  • A constante de equilíbrio para uma reação total é o produto das constantes de equilíbrio das reações parciais.

As concentrações molares dos gases

A constante de equilíbrio é definida em termos das atividades, e estas são interpretadas em termos das pressões parciais dos gases ou das concentrações molares dos solutos. aA+bBcC+dDK=(aC)c(aD)d(aA)a(aB)b \ce{a A + b B <=> c C + d D } \quad K = \dfrac{ (a_{\ce{C}})^c (a_{\ce{D}})^d }{ (a_{\ce{A}})^a (a_{\ce{B}})^b } Os gases sempre aparecem em KK como os valores numéricos de suas pressões parciais em bar, e os solutos em uma fase condensada sempre aparecem como os valores numéricos de suas concentrações molares em litros.

Nota de boa prática

Em alguns casos, você encontrará uma constante de equilíbrio escrita como KPK_P para lembrá-lo de que ela está expressa em termos de pressões parciais. O subscrito PP, entretanto, é desnecessário porque, por definição, as constantes de equilíbrio de reações em fase gás são expressas em termos de pressões parciais.

No entanto, muitas vezes os equilíbrios em fase gasosa precisam ser discutidos em termos de concentrações molares, não pressões parciais, especialmente em áreas da química como a cinética e a química atmosférica. Portanto, a constante de equilíbrio KcK_c é expressa como: Kc=[C]Xc [D]Xd[A]Xa [B]Xb K_c = \ce{\frac{ [C]^c [D]^d }{ [A]^a [B]^b } } com cada concentração molar elevada a uma potência igual ao coeficiente estequiométrico da espécie correspondente na equação química. Por exemplo para o equilíbrio na síntese da amônia, NX2(g)+3HX2(g)2NHX3(g)Kc=[NHX3]X2[NX2] [HX2]X3 \ce{ N2(g) + 3 H2(g) <=> 2 NH3(g) } \quad K_c = \ce{ \frac{ [NH3]^2 }{ [N2] [H2]^3 } }

Atenção

Você pode escolher KK ou KcK_c para expressar a constante de equilíbrio de uma reação. Contudo, é importante lembrar que os cálculos de uma constante de equilíbrio a partir de dados termodinâmicos dão KK, não KcK_c.

Em alguns casos, você precisa conhecer KcK_c após ter calculado KK a partir de dados termodinâmicos e, por isso, precisa também saber converter as duas constantes uma na outra.

Demonstração 1
Relação entre KK e KcK_\mathrm{c}

O ponto de partida é a forma completa da Eq. 1: K=(PA/P)a(PB/P)b(PC/P)c(PD/P)d K = \dfrac{ (P_{\ce{A}}/P^\circ)^a (P_{\ce{B}}/P^\circ)^b }{ (P_{\ce{C}}/P^\circ)^c (P_{\ce{D}}/P^\circ)^d } A concentração molar de cada gás é [X]=nX/V\ce{[X]} = n_{\ce{X}}/V. Para um gás ideal, a lei dos gases ideais, PXV=nXRTP_{\ce{X}}V = n_{\ce{X}}RT, pode ser rearranjada para mostrar as concentrações de forma explícita: PX=nXRTV=RT×(nXV)=RT[X] P_{\ce{X}} = \dfrac{ n_{\ce{X}}RT }{ V } = RT \times \left( \dfrac{ n_{\ce{X}} }{ V } \right ) = RT \ce{[X]} Quando essa expressão é substituída para cada gás na expressão de KK, ela se torna K=[C]Xc [D]Xd[A]Xa [B]Xb(RTP)(c+d)(a+b) K = \ce{\frac{ [C]^c [D]^d }{ [A]^a [B]^b } } \left( \dfrac{RT}{P^\circ} \right)^{ (c + d) - (a + b) } Neste ponto, observe que KcK_c, Eq. 3, na forma completa pode ser escrita como (com cc^\circ mostrado): Kc=([C]/c)c([D]/c)d([A]/c)a([B]/c)b K_c = \frac{ (\ce{[C]}/c^\circ)^c (\ce{[D]}/c^\circ)^d }{ (\ce{[A]}/c^\circ)^a (\ce{[B]}/c^\circ)^b } Quando essa expressão é inserida na expressão de K,K, K=Kc(cRTP)(c+d)(a+b) K = K_c \left( \dfrac{ c^\circ RT }{ P^\circ } \right)^{ (c + d) - (a + b) }

Uma boa maneira de lembrar a forma geral da expressão que acabamos de derivar e outras semelhantes é escrevê-la como K=Kc(cRTP)Δnr, gaˊs K = K_c \left( \dfrac{ c^\circ RT }{ P^\circ } \right)^{ \Delta n_\text{r, gás} } em que Δnr, gaˊs\Delta n_\text{r, gás} é a variação (adimensional) dos coeficientes estequiométricos para as espécies na fase gás na reação química. Se nenhum gás participa da reação ou os números de moléculas de gás são idênticos nos dois lados da equação química, então Δnr, gaˊs=0\Delta n_\text{r, gás} = 0 e K=KcK = K_c. A mesma relação acontece entre QQ e QcQ_c, o quociente da reação em termos de concentrações.

Como a pressão padrão é P=1 atmP^\circ = \pu{1 atm} e a concentração padrão é c=1 molL1,c^\circ = \pu{1 mol.L-1}, a Eq. 4 pode ser expressa de forma mais simples como: K=Kc(0,082×T)Δnr, gaˊs \boxed{ K = K_c \left( \pu{0,082} \times T \right)^{\Delta n_\text{r, gás}} } em que TT é o valor da temperatura em Kelvin.

Exemplo 2
Conversão entre KK e KcK_c

Em 400 °C\pu{400 \degree C}, a reação: 2SOX2(g)+OX2(g)2SOX3(g) \ce{ 2 SO2(g) + O2(g) <=> 2 SO3(g) } tem constante de equilíbrio K=3104K = \pu{3e4}.

Calcule o valor de KcK_c para essa reação em 400 °C\pu{400 \degree C}.

Etapa 1.Calcule a variação dos coeficientes estequiométricos para as espécies na fase gás na reação.

Δnr, gaˊs=2(2+1)=1 \Delta n_\text{r, gás} = 2 - (2 + 1) = -1

Etapa 2.Calcule a constante de equilíbrio KcK_c.

De K=Kc(RT)Δnr, gaˊsK = K_c \left( RT \right)^{\Delta n_\text{r, gás}} Kc=(3104)×(0,082×673)(1)=1,7106 K_c = (\pu{3e4}) \times \left( \pu{0,082} \times \pu{673} \right)^{-(-1)} \\ = \boxed{ \pu{1,7e6} }

No caso de cálculos termodinâmicos, os equilíbrios em fase gás são expressos em termos de KK. No caso de cálculos práticos, porém, eles podem ser expressos em termos de concentrações molares.