Na seção anterior, as transferências de energia como trabalho ou calor foram consideradas em separado, e você viu que ambas são uma maneira de alterar a energia interna de um sistema. Entretanto, em muitos processos, a energia interna de um sistema muda em consequência de ambos, o trabalho e o calor. Por exemplo, quando uma centelha acende a mistura de vapor de gasolina e ar no motor de um automóvel em movimento, o vapor queima e se expande, transferindo energia para a vizinhança na forma de calor e de trabalho.
Quando um sistema realiza apenas trabalho, , a variação da energia interna (a energia total do sistema) é , e que quando um sistema troca energia apenas na forma de calor, , então .
Em geral, a variação de energia interna de um sistema fechado é o resultado dos dois tipos de transferência. Assim, podemos escrever a primeira lei da termodinâmica: O calor e o trabalho são formas de transferência de energia e, portanto, de variação da energia interna de um sistema. Um sistema é como um banco de energia, cujas reservas são medidas como energia interna, e os depósitos e as retiradas ocorrem como calor ou trabalho. A Eq. 1 é uma declaração completa de como variações da energia interna de um sistema fechado de composição constante podem ser obtidas: A única forma de mudar a energia interna de um sistema fechado é transferir energia para ele na forma de calor ou trabalho.
Se o sistema está isolado, nem isso é possível, e a energia interna não pode mudar. Esta conclusão é outra forma de enunciar a primeira lei da termodinâmica:
O motor de um automóvel realiza de trabalho e perde de energia na forma de calor.
Calcule a variação da energia interna do motor.
De
Trabalho e calor são modos equivalentes de um sistema trocar energia. A primeira lei da termodinâmica afirma que a energia interna de um sistema isolado é constante.
De acordo com a primeira lei da termodinâmica, mesmo que um sistema passe por uma série de mudanças, a energia interna se manterá invariável quando ele retornar a seu estado inicial. Resumimos essas declarações dizendo que a energia interna é uma função de estado. Uma função de estado é uma propriedade cujo valor depende somente do estado atual do sistema e não da maneira como o estado foi atingido. A pressão, o volume, a temperatura e a densidade de um sistema também são funções de estado.
A importância das funções de estado na termodinâmica é que, como elas só dependem do estado atual do sistema, qualquer alteração de valor é independente do modo como a mudança foi feita. Uma função de estado é como a altitude em uma montanha. Podemos escolher vários caminhos diferentes entre dois pontos da montanha, mas a mudança de altitude entre os dois pontos será sempre a mesma, independentemente do caminho.
Por exemplo, se você aumentar a temperatura de de água, originalmente em , até , a energia interna variará de uma certa quantidade. Se, todavia, você aquecer a mesma massa de água de até a temperatura de fervura, deixando vaporizar toda a água, condensar o vapor e resfriar o condensado até , a variação total da energia interna é exatamente a mesma do processo anterior.
Em alguns casos, seus conhecimentos intuitivos sobre o comportamento das moléculas vão ajudá-lo a identificar a variação de energia interna de um processo sem ter de calculá-la. Por exemplo, quando um gás ideal se expande isotermicamente, suas moléculas continuam a se mover na mesma velocidade média. Como não existem forças entre as moléculas, sua energia potencial total também permanece a mesma, ainda que a separação média tenha aumentado. Como a energia cinética total e a energia potencial total não mudam, a energia interna do gás também não muda:
Portanto, quando o volume de uma amostra de um gás ideal muda, por qualquer caminho entre dois estados, desde que a temperatura dos estados inicial e final seja a mesma, sabemos imediatamente que .
A mudança na função de estado entre dois estados é independente do caminho entre eles. A energia interna é uma função de estado. O trabalho e o calor não são.
Embora o calor e o trabalho sejam equivalentes no sentido de que a variação da energia interna de um sistema é independente do caminho empregado, existe uma diferença entre eles em nível molecular. Essa diferença está relacionada à ordem no movimento dos átomos na vizinhança do sistema.
Quando energia é transferida na forma de trabalho, o sistema movimenta as moléculas da vizinhança em uma direção definida (pense nos átomos de um peso sendo erguido se movendo simultaneamente para cima). Durante a transferência de energia na forma de calor, as moléculas da vizinhança movem-se caoticamente (pense nos átomos de um objeto quente empurrando os átomos da vizinhança para movimentos randômicos mais vigorosos). Isto é:
A energia interna, , é a energia armazenada em um sistema na forma de energia cinética e energia potencial. Ela inclui toda a energia de interação das partículas fundamentais que formam os átomos e a energia acumulada como movimento. As moléculas de um gás podem se mover de várias maneiras e cada modo de movimento contribui para a energia:
A energia cinética é a energia devida ao movimento. Quanto maior for a velocidade de translação e de rotação de uma molécula, maior será sua energia cinética. É possível estimar a energia armazenada em uma sistema de moléculas de gás usando o resultado da física clássica chamado de teorema da equipartição:
O termo equipartição significa que a energia disponível é compartilhada (particionada) igualmente entre os modos disponíveis.
Por exemplo, a energia cinética translacional é a soma dos movimentos nos eixos , e . Cada movimento contribui com para a energia interna de uma molécula. Portanto, a energia média translacional molar, , na temperatura é: Gases monoatômicos possuem apenas o movimento translacional, portanto, sua energia interna molar é . Uma molécula linear, como o , pode rodar em torno dos dois eixos perpendiculares à linha que une os átomos, além da rotação. Logo, a energia interna molar de um gás linear é: Uma molécula não linear pode rodar em torno de três eixos perpendiculares entre si. Portanto, a energia interna molar de um gás não linear é:
O teorema da equipartição pode ser usado para estimar as contribuições translacional e rotacional para a energia interna de um gás ideal. A contribuição vibracional para a energia é insignificante nas temperaturas comuns.