Os óxidos ocupam uma posição central na Química Inorgânica porque conectam a estrutura eletrônica dos elementos à sua reatividade mais característica. Eles aparecem na combustão, na corrosão, nos minerais, nos materiais cerâmicos, na atmosfera e em muitos reagentes de laboratório. Também fornecem uma das ilustrações mais claras da relação entre posição periódica, tipo de ligação e comportamento químico. Quando se reconhece a natureza de um óxido, torna-se mais fácil prever se ele reagirá com água, com ácidos ou com bases, se exibirá caráter básico, ácido ou anfótero, e até mesmo que tipo de material ele tende a formar.
Um óxido é um composto binário do oxigênio com outro elemento, em que o oxigênio aparece, em regra, como o elemento mais eletronegativo. Essa definição inclui tanto compostos iônicos, como e , quanto compostos moleculares ou covalentes reticulares, como e . Ela não deve ser confundida com a ideia mais ampla de “composto que contém oxigênio”, pois nem todo composto oxigenado é um óxido. Hidróxidos, oxoácidos e sais oxigenados pertencem a outras classes. Também convém separar os óxidos das espécies em que o oxigênio não se encontra no NOX usual dos óxidos comuns, como os peróxidos e superóxidos, que serão discutidos mais adiante.
A nomenclatura dos óxidos depende do tipo de elemento com que o oxigênio está combinado. Quando o elemento forma um único óxido importante, o nome é geralmente direto: Essa é a situação mais simples, típica de muitos metais com NOX fixo.
| Fórmula | Elemento | NOX | Nome |
|---|---|---|---|
| Na | óxido de sódio | ||
| Ca | óxido de cálcio | ||
| Mg | óxido de magnésio | ||
| Al | óxido de alumínio |
Quando o elemento pode apresentar mais de um NOX importante, a nomenclatura de Stock é a forma mais clara de nomeação: Nessa forma de nomear, o NOX do elemento central aparece explicitamente no nome, o que evita ambiguidades.
| Fórmula | Elemento | NOX | Nome |
|---|---|---|---|
| Fe | óxido de ferro(II) | ||
| Fe | óxido de ferro(III) | ||
| Cu | óxido de cobre(I) | ||
| Cu | óxido de cobre(II) | ||
| Sn | óxido de estanho(II) | ||
| Sn | óxido de estanho(IV) |
A fórmula e o nome se esclarecem mutuamente, pois, nos óxidos comuns, o oxigênio contribui com NOX . Assim, a determinação do NOX do outro elemento segue diretamente da neutralidade elétrica da fórmula.
Nos óxidos moleculares, especialmente nos formados por não metais, também é frequente a nomenclatura sistemática com prefixos numéricos. Nesse caso, o número de átomos de cada elemento é indicado diretamente no nome. Essa forma de nomeação é particularmente útil quando se deseja manter a fórmula molecular em primeiro plano.
| Fórmula | Elemento | NOX | Nome |
|---|---|---|---|
| C | monóxido de carbono | ||
| C | dióxido de carbono | ||
| S | dióxido de enxofre | ||
| S | trióxido de enxofre | ||
| N | trióxido de dinitrogênio | ||
| N | pentóxido de dinitrogênio |
Em muitos contextos escolares, a nomenclatura de Stock e a sistemática coexistem, mas a escolha deve ser consistente com o tipo de composto e com a clareza desejada. Em óxidos iônicos e em óxidos de metais com NOX variável, a nomenclatura de Stock é geralmente a mais informativa. Em óxidos moleculares de não metais, a sistemática costuma tornar a fórmula molecular mais transparente.
A nomenclatura dos óxidos não deve ser misturada com a dos ânions oxigenados. é dióxido de carbono, não carbonato; é trióxido de enxofre, não sulfato. Carbonatos e sulfatos são sais, não óxidos.
A nomenclatura dos óxidos depende da natureza do elemento central e do modo como se deseja explicitar a fórmula. Em compostos iônicos, a nomenclatura de Stock é particularmente útil; em óxidos moleculares, os prefixos numéricos frequentemente oferecem a leitura mais direta.
Os óxidos não constituem uma classe uniforme. Alguns são melhor descritos como compostos iônicos; outros, como compostos covalentes moleculares; outros ainda, como sólidos covalentes reticulares. Essa distinção é importante porque ela antecipa propriedades físicas e químicas muito diferentes.
Os óxidos iônicos são típicos de metais fortemente eletropositivos. Neles, o oxigênio aparece, em primeira aproximação, como , e o sólido consiste em uma rede de íons. O óxido de sódio e o óxido de magnésio são exemplos típicos: Esses compostos apresentam pontos de fusão elevados e, quando reagem com água, revelam o forte caráter básico do íon óxido: A reação do óxido de magnésio com água é menos vigorosa do que a do óxido de sódio, mas a tendência geral permanece: óxidos iônicos de metais muito eletropositivos exibem caráter básico.
Os óxidos covalentes moleculares são típicos de não metais, especialmente em altos estados de oxidação. O dióxido de carbono e o dióxido de enxofre são exemplos clássicos: Nesses casos, as moléculas são individualizadas, e o sólido, quando existe, é mantido por interações intermoleculares relativamente fracas. Esses óxidos tendem a exibir caráter ácido, seja reagindo diretamente com água, seja reagindo com bases.
Há também óxidos covalentes reticulares, entre os quais o dióxido de silício é o exemplo mais importante. O não é uma molécula simples análoga ao ; ele forma uma rede covalente extensa. Essa diferença estrutural explica por que o dióxido de silício é um sólido duro, de alto ponto de fusão, e pouco reativo em água, enquanto o dióxido de carbono é um gás: A fórmula, por si só, não basta para prever o comportamento do composto; a natureza da ligação e a estrutura do sólido precisam ser consideradas.
e são ambos óxidos ácidos, mas não devem ser imaginados como estruturas semelhantes. O primeiro é molecular; o segundo é uma rede covalente extensa. Essa diferença estrutural domina suas propriedades físicas e sua reatividade.
A classificação ácido-base dos óxidos é uma das aplicações mais claras das tendências periódicas. Em termos gerais, os metais mais eletropositivos formam óxidos básicos, os não metais formam óxidos ácidos, e elementos de comportamento intermediário formam óxidos anfóteros. Essa progressão não é um artifício classificatório; ela reflete o equilíbrio entre caráter metálico, eletronegatividade e tipo de ligação com o oxigênio.
Os óxidos básicos reagem com ácidos para formar sal e água. Muitos deles também reagem com água para formar bases. Os exemplos mais importantes são os óxidos dos metais alcalinos e alcalino-terrosos: A segunda reação mostra que, mesmo quando a reação com água não é intensa, o caráter básico do óxido se revela claramente diante de um ácido.
Os óxidos ácidos reagem com bases para formar sal e água. Muitos deles podem ser vistos como anidridos de oxoácidos, pois se convertem no ácido correspondente ao reagirem com água: Nem todos os óxidos ácidos reagem com água com a mesma facilidade, mas todos se caracterizam, em alguma medida, pela tendência a reagir com bases.
Os óxidos anfóteros reagem tanto com ácidos quanto com bases fortes. Essa classe aparece com especial nitidez em elementos de fronteira, como alumínio, zinco, estanho e chumbo. O óxido de alumínio é o exemplo mais importante: O mesmo tipo de comportamento aparece no óxido de zinco: e no dióxido de estanho: Essas reações mostram que o anfoterismo é um comportamento sistemático, não uma exceção casual.
A tendência ao longo do terceiro período ilustra bem essa classificação. Os óxidos de sódio e magnésio são básicos; o óxido de alumínio é anfótero; os óxidos de silício, fósforo e enxofre são ácidos. Essa sequência traduz, em linguagem química, a diminuição do caráter metálico ao longo do período.
O fato de um óxido ser metálico não garante, por si só, que ele seja apenas básico. Óxidos como , e mostram que a posição periódica e o estado de oxidação do elemento central precisam ser levados em conta.
A classificação dos óxidos em básicos, ácidos e anfóteros organiza sua reatividade de forma simples e poderosa. Ela traduz diretamente tendências periódicas e diferenças estruturais entre metais, não metais e elementos de fronteira.
Alguns óxidos não reagem com água para formar ácidos ou bases, e também não reagem facilmente com ácidos ou bases em condições usuais. Esses compostos são chamados óxidos neutros. Eles não exibem, de modo marcante, nem caráter ácido, nem caráter básico, nem anfótero. Essa classe é menos numerosa do que as anteriores, mas é importante porque impede que a classificação dos óxidos seja reduzida a apenas três comportamentos.
Os exemplos mais importantes são o monóxido de carbono, , o monóxido de nitrogênio, , e o óxido nitroso, : Esses compostos são moleculares e, em condições comuns, não originam diretamente ácidos ou bases por simples reação com a água. Por isso, não devem ser confundidos com óxidos ácidos apenas porque são óxidos de não metais.
O monóxido de carbono é especialmente importante porque, embora seja classificado como óxido neutro, é quimicamente muito ativo em outros contextos. Ele pode atuar como agente redutor e participa de processos metalúrgicos importantes: Sua neutralidade, portanto, se refere ao comportamento ácido-base, e não a uma ausência geral de reatividade.
O monóxido de nitrogênio também ilustra bem esse ponto. Ele é um óxido neutro em termos ácido-base, mas reage com oxigênio do ar para formar dióxido de nitrogênio: O produto, , já não é um óxido neutro; ele participa da química dos óxidos ácidos e da formação de ácido nítrico em presença de água. A neutralidade de , portanto, não impede que ele seja um intermediário importante na química atmosférica e industrial do nitrogênio.
O óxido nitroso, , completa esse grupo de exemplos. Ele também não apresenta caráter ácido-base acentuado em água e é classificado como óxido neutro. Sua importância é mais descritiva do que estrutural, pois aparece em contextos laboratoriais e históricos como gás anestésico.
A presença dos óxidos neutros mostra que a classificação ácido-base dos óxidos precisa ser usada com precisão. Muitos óxidos de metais são básicos, muitos óxidos de não metais são ácidos, alguns são anfóteros, mas há também espécies que permanecem fora dessas três classes em condições usuais.
Óxidos neutros são espécies que não exibem caráter ácido, básico ou anfótero de modo marcante em condições usuais. , e são os exemplos mais importantes, e sua neutralidade se refere especificamente ao comportamento ácido-base.
Nem todos os compostos binários do oxigênio com outro elemento pertencem à classe dos óxidos comuns. Nos peróxidos, o oxigênio aparece com NOX e a estrutura contém o grupo . No peróxido de hidrogênio e no peróxido de sódio, por exemplo, a ligação O–O está presente: Essa diferença de estrutura implica diferença de comportamento químico. O peróxido de sódio, por exemplo, reage com água formando hidróxido de sódio e peróxido de hidrogênio: O peróxido de hidrogênio, por sua vez, é uma espécie particularmente importante porque pode atuar tanto como agente oxidante quanto como agente redutor, dependendo do meio e do reagente com que entra em contato.
Nos superóxidos, o grupo característico é , e o NOX médio do oxigênio é . O superóxido de potássio é o exemplo mais importante: Ele reage com água liberando oxigênio e formando hidróxido de potássio: A química dos superóxidos mostra que, nos elementos mais eletropositivos, a combinação com o oxigênio pode produzir uma série de espécies distintas, cuja estabilidade depende do tamanho do cátion e de fatores estruturais.
Essas espécies especiais não devem ser tratadas como simples exceções de nomenclatura. Elas são importantes porque revelam um princípio mais amplo: a química do oxigênio varia conforme o tamanho do cátion, a natureza da ligação e a possibilidade de estabilização de unidades como e .
As tendências periódicas ajudam a organizar esse quadro. Metais muito eletropositivos tendem a formar óxidos fortemente básicos. Não metais em altos NOX tendem a formar óxidos ácidos. Elementos de fronteira tendem ao anfoterismo. Entre os metais alcalinos, o aumento do raio do cátion favorece a estabilização de espécies maiores e menos compactas do oxigênio, como peróxidos e superóxidos. A Tabela Periódica, portanto, não apenas sugere o caráter ácido ou básico dos óxidos comuns; ela também ajuda a entender por que diferentes formas oxigenadas aparecem em diferentes regiões da tabela.
Nos óxidos comuns, o oxigênio tem NOX . Nos peróxidos, o NOX é . Nos superóxidos, o NOX médio é . Esse é um dos exemplos mais importantes de variação de NOX de um mesmo elemento em classes próximas de compostos.
Os peróxidos e superóxidos mostram que a química do oxigênio não se esgota nos óxidos comuns. Essas espécies enriquecem a classificação e reforçam a conexão entre estrutura, NOX e tendências periódicas.