A fórmula empírica de um composto expressa o número relativo de átomos de cada elemento do composto. Assim, por exemplo, a fórmula empírica da glicose, CHX2O\ce{CH2O}, mostra que os átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio estão na razão 1:2:11:2:1. Os elementos estão nessa proporção independentemente do tamanho da amostra. A fórmula molecular dá o número real de átomos de cada elemento da molécula. A fórmula molecular da glicose, CX6HX12OX6\ce{C6H12O6}, mostra que cada molécula de glicose contém 6 átomos de carbono, 12 átomos de hidrogênio e 6 átomos de oxigênio.

Como a fórmula empírica informa apenas as proporções dos números de átomos de cada elemento, compostos distintos com fórmulas moleculares diferentes podem ter a mesma fórmula empírica. Assim, o formaldeído CHX2O\ce{CH2O}, (o preservativo das soluções de formol), o ácido acético, CX2HX4OX2\ce{C2H4O2} (o ácido do vinagre), e o ácido lático, CX3HX6OX3\ce{C3H6O3} (o ácido do leite azedo), têm todos a fórmula empírica (CHX2O\ce{CH2O}) da glicose, mas são compostos diferentes com propriedades diferentes.


2A.3aA composição percentual em massa

Para determinar a fórmula empírica de um composto, começa-se por medir a massa de cada elemento presente na amostra. O resultado normalmente é apresentado na forma da composição percentual em massa, isto é, a massa de cada elemento expressa como uma percentagem da massa total: f=massa do elemento na amostramassa da amostra f = \dfrac{ \text{massa do elemento na amostra} }{ \text{massa da amostra} } Como a composição percentual em massa não depende do tamanho da amostra é uma propriedade intensiva — ela representa a composição de qualquer amostra da substância. A principal técnica de determinação da composição percentual em massa de compostos orgânicos desconhecidos é a análise por combustão, descrita no Tópico 3B.

Se a fórmula química de um composto já é conhecida, a composição percentual em massa pode ser obtida a partir daquela fórmula.

Exemplo 1
Cálculo da fração mássica de um elemento em um composto

Calcule a fração mássica de hidrogênio na água.

Etapa 1.Divida a massa de H\ce{H} pela massa da molécula.

De fH=mH/mHX2O,f_{\ce{H}} = m_{\ce{H}}/m_{\ce{H2O}}, fH=(2 mol)×(1 gmol)(1 mol)×(18 gmol)=11,2% f_{\ce{H}} = \dfrac{ (\pu{2 mol}) \times (\pu{1 g//mol}) }{ (\pu{1 mol}) \times (\pu{18 g//mol}) }\\ = \boxed{ \pu{11,2}\% }

A composição percentual em massa é obtida pelo cálculo da fração devida a cada elemento presente na massa total de um composto.

2A.3bA determinação das fórmulas empíricas

Para converter a composição percentual em uma fórmula empírica, converta as percentagens em massa de cada tipo de átomo no número relativo de átomos de cada elemento. O procedimento mais simples é considerar uma base de cálculo, isto é, imaginar que a amostra tem exatamente 100 g\pu{100 g} de massa.

Desse modo, a composição percentual em massa dá a massa em gramas de cada elemento. Então, a massa molar de cada elemento é usada para converter essas massas em mols e, depois, encontrar o número relativo de mols de cada tipo de átomo. Uma base de cálculo arbitrária pode ser utilizada sempre que se deseja calcular uma propriedade intensiva.

Exemplo 2
Determinação da fórmula empírica a partir da composição percentual em massa

Uma amostra de um composto desconhecido foi enviada a um laboratório para uma análise de combustão. A composição encontrada foi 40,9%\pu{40,9}\% de carbono, 4,58%\pu{4,58}\% de hidrogênio e 54,5%\pu{54,5}\% de oxigênio.

Determine a fórmula empírica do composto.

Etapa 1.Calcule a massa de cada elemento em 100 g\pu{100 g} do composto.

A massa de cada elemento em 100 g\pu{100 g} do composto é igual a sua percentagem em massa em gramas. mC=40,9 gmH=4,58 gmO=54,5 g \begin{aligned} m_{\ce{C}} &= \pu{40,9 g}\\ m_{\ce{H}} &= \pu{4,58 g}\\ m_{\ce{O}} &= \pu{54,5 g} \end{aligned}

Etapa 2.Converta cada massa em quantidade de átomos usando a massa molar do elemento.

nC=40,9 g12 gmol=3,41 molnH=4,58 g1 gmol=4,54 molnO=54,5 g16 gmol=3,41 mol \begin{aligned} n_{\ce{C}} &= \dfrac{ \pu{40,9 g} }{ \pu{12 g//mol} } = \pu{3,41 mol} \\ n_{\ce{H}} &= \dfrac{ \pu{4,58 g} }{ \pu{1 g//mol} } = \pu{4,54 mol} \\ n_{\ce{O}} &= \dfrac{ \pu{54,5 g} }{ \pu{16 g//mol} } = \pu{3,41 mol} \end{aligned}

Etapa 3.Divida cada quantidade de átomos pela menor quantidade.

C:3,41 mol3,41 mol=1,00H:4,54 mol3,41 mol=1,33=43O:3,41 mol3,41 mol=1,00 \begin{aligned} \ce{C} &: \dfrac{ \pu{3,41 mol} }{ \pu{3,41 mol} } = \pu{1,00}\\ \ce{H} &: \dfrac{ \pu{4,54 mol} }{ \pu{3,41 mol} } = \pu{1,33} = \dfrac{4}{3}\\ \ce{O} &: \dfrac{ \pu{3,41 mol} }{ \pu{3,41 mol} } = \pu{1,00} \end{aligned}

Etapa 4.Como um composto só pode conter um número inteiro de átomos, multiplique pelo menor fator que gere um número inteiro para cada elemento.

3×(CX1HX43OX1)=CX3HX4OX3 3 \times (\ce{C_{1}H_{4/3}O_{1}}) = \boxed{ \ce{C3H4O3} }

A fórmula empírica de um composto é determinada a partir da composição percentual em massa e da massa molar dos elementos presentes.

2A.3cA determinação das fórmulas moleculares

Outra informação, a massa molar, é necessária para você descobrir a fórmula molecular de um composto molecular. Para encontrar a fórmula molecular, você precisará decidir quantas fórmulas unitárias empíricas são necessárias para explicar a massa molar observada.

Exemplo 3
Determinação da fórmula molecular a partir da fórmula empírica

A espectrometria de massas realizada em laboratório mostrou que a massa molar da amostra desconhecida com fórmula empírica CX3HX4OX3\ce{C3H4O3} é 176 gmol1\pu{176 g.mol-1}.

Determine a fórmula molecular do composto.

Etapa 1.Calcule a massa molar de uma fórmula unitária.

MCX3HX4OX3=3MC+4MH+3MO={3×(12)+4×(1)+3×(16)}gmol=88 gmol1 \begin{aligned} M_{\ce{C3H4O3}} &= 3 M_{\ce{C}} + 4 M_{\ce{H}} + 3 M_{\ce{O}} \\ &= \Big\{ 3 \times (\pu{12}) + 4 \times (\pu{1}) + 3 \times (\pu{16}) \Big\} \pu{g//mol} \\ &= \pu{88 g.mol-1} \end{aligned}

Etapa 2.Divida a massa molar do composto pela massa da fórmula unitária empírica.

x=176 gmol88 gmol=2 x = \dfrac{ \pu{176 g//mol} }{ \pu{88 g//mol} } = 2

Etapa 3.Multiplique os coeficientes na fórmula empírica pelo fator 22 para obter a fórmula molecular.

2×(CX3HX4OX3)=CX6HX8OX6 2\times (\ce{C3H4O3}) = \boxed{ \ce{C6H8O6} }

A fórmula molecular de um composto é obtida determinando‑se quantas fórmulas empíricas unitárias são necessárias para atingir a massa molar medida do composto.

2A.3dA análise por combustão

Uma técnica usada nos laboratórios químicos modernos é a determinação das fórmulas empíricas pela análise por combustão. Queima-se a amostra em um tubo por onde passa um fluxo abundante de oxigênio. O excesso de oxigênio assegura que o reagente limitante é a amostra e que a combustão é completa.

Atenção!

Em uma reação de combustão completa com gás oxigênio:

  • Todo o hidrogênio do composto converte-se em água.
  • Todo o carbono converte-se em dióxido de carbono.
  • Todo o nitrogênio converte-se em gás nitrogênio.

Na versão clássica da técnica os produtos da combustão são passados por um tubo contendo uma substância que absorve toda a água, como o pentóxido de fósforo, PX4OX10\ce{P4O10}, HX2O(g)+PX4OX10(s)PX4OX10HX2O(s) \ce{ H2O(g) + P4O10(s) -> P4O10.H2O(s) } e em seguida por um tudo contendo hidróxido de sódio, NaOH\ce{NaOH}, que absorve todo o dióxido de carbono conforma a reação: COX2(g)+NaOH(s)NaHCOX3(s) \ce{ CO2(g) + NaOH(s) -> NaHCO3(s) } Os aumentos de massa no primeiro e no segundo tubos indicam as massas de água e de dióxido de carbono, respectivamente, formadas na combustão.

Na versão moderna da técnica, os gases produzidos são separados por cromatografia e suas quantidades relativas são determinadas pela medida da condutividade térmica dos gases que saem do aparelho. Esses instrumento permitem analisar compostos contendo enxofre e halogênios. Todo enxofre é convertido a dióxido de enxofre e todos os halogênios, X\ce{X}, são convertidos aos respectivos haletos de hidrogênio, HX\ce{HX}.

Sob excesso de oxigênio, cada átomo de carbono do composto transforma-se em uma molécula de dióxido de carbono. Portanto, nC,amostra=nCOX2,produto n_{\ce{C}, \text{amostra}} = n_{\ce{CO2}, \text{produto}} Por isso, ao medir a massa de dióxido de carbono produzida e converter em mols, obtém-se o número de mols de átomos C\ce{C} da amostra original.

De maneira semelhante, cada átomo de hidrogênio do composto contribui, sob excesso de oxigênio, para a formação de uma molécula de água durante a combustão. nH,amostra=2×nHX2O,produto n_{\ce{H}, \text{amostra}} = 2 \times n_{\ce{H2O}, \text{produto}} Por isso, conhecendo-se a massa de água produzida quando o composto queima sob excesso de oxigênio, obtém-se a quantidade de H\ce{H} da amostra original.

Muitos compostos orgânicos também contêm oxigênio. Se o composto só contém carbono, hidrogênio e oxigênio, é possível calcular a massa de oxigênio inicialmente presente ao subtrair as massas de carbono e hidrogênio da massa original da amostra. A massa de oxigênio pode ser convertida em quantidade de O\ce{O} usando a massa molar dos átomos de oxigênio.

Exemplo 4
Determinação de uma fórmula empírica pela análise por combustão

Uma amostra de 1,61 g\pu{1,61 g} de um composto recém-sintetizado, do qual se sabia que continha somente carbono, hidrogênio e oxigênio foi analisado por combustão.

Os gases de exaustão foram passados por um tubo contendo PX4OX10\ce{P4O10} e em seguida por um tubo contendo NaOH\ce{NaOH}. O aumento de massa nos tubos foi de 1,9 g\pu{1,9 g} e 3,1 g\pu{3,1 g}, respectivamente.

Determine a fórmula empírica do composto.

Etapa 1.Converta a quantidade de HX2O\ce{H2O} produzida em quantidade e massa de H\ce{H} na amostra.

De n=m/Mn = m/M nH=2×nHX2O=2×1,9 g18 gmol=0,21 molmH=0,21 mol×1 gmol=0,21 g \begin{aligned} n_{\ce{H}} &= 2 \times n_{\ce{H2O}} = 2 \times \dfrac{ \pu{1,9 g} }{ \pu{18 g//mol} } = \pu{0,21 mol} \\ m_{\ce{H}} &= \pu{0,21 mol} \times \pu{1 g//mol} = \pu{0,21 g} \end{aligned}

Etapa 2.A massa de COX2\ce{CO2} produzida equivale ao aumento de massa no em quantidade e massa de C\ce{C} na amostra.

De n=m/Mn = m/M nC=nCOX2=3,1 g44 gmol=0,7 molmC=0,7 mol×12 gmol=8,4 g \begin{aligned} n_{\ce{C}} &= n_{\ce{CO2}} = \dfrac{ \pu{3,1 g} }{ \pu{44 g//mol} } = \pu{0,7 mol} \\ m_{\ce{C}} &= \pu{0,7 mol} \times \pu{12 g//mol} = \pu{8,4 g} \end{aligned}

Etapa 3.Calcule a massa de oxigênio da amostra a partir da diferença entre a massa da amostra e a massa total de C\ce{C} e H\ce{H}.

De n=m/Mn = m/M mO=1,61 g0,84 g0,21 g=0,56 gnO=0,56 g16 gmol=0,035 mol \begin{aligned} m_{\ce{O}} &= \pu{1,61 g} - \pu{0,84 g} - \pu{0,21 g} = \pu{0,56 g} \\ n_{\ce{O}} &= \dfrac{ \pu{0,56 g} }{ \pu{16 g//mol} } = \pu{0,035 mol} \end{aligned}

Etapa 4.Divida a quantidade de C\ce{C}, H\ce{H} e O\ce{O} pela menor quantidade (0,035 mol\pu{0,035 mol}).

C:0,7 mol0,035 mol=2H:0,21 mol0,035 mol=6O:0,035 mol0,035 mol=1 \begin{aligned} \ce{C} &: \dfrac{\pu{0,7 mol}}{\pu{0,035 mol}} = 2 \\ \ce{H} &: \dfrac{\pu{0,21 mol}}{\pu{0,035 mol}} = 6 \\ \ce{O} &: \dfrac{\pu{0,035 mol}}{\pu{0,035 mol}} = 1 \end{aligned} Por fim, a fórmula empírica é: CX2HX6O\boxed{ \ce{ C2H6O } }

Em uma análise por combustão, as quantidades de átomos de C\ce{C}, H\ce{H} e O\ce{O} na amostra de um composto e, portanto, sua fórmula empírica, são determinadas a partir das massas de dióxido de carbono e água produzidas quando o composto queima sob excesso de oxigênio.

2A.3eA análise termogravimétrica

Para que uma substância química seja submetida a uma técnica de análise, essa deve possuir uma composição conhecida e estável. Uma substância higroscópica absorve água do ar e não pode ser pesada com precisão. Muitos compostos contém quantidade variável de água e devem ser secados sob condições que garantem que toda a água de hidratação é eliminada. A calcinação, um forte aquecimento, é usada para mudar a composição de precipitados, por exemplo, a calcinação de sais hidratados, como o óxido de ferro(III), elimina toda a água de hidratação: FeX2OX3(s)3HX2OΔFeX2OX3(s)+3HX2O(g) \ce{ Fe2O3(s).3H2O ->[$\Delta$] Fe2O3(s) + 3 H2O(g) } Os metais alcalinos são os únicos a formar sólidos com o íon bicarbonato, HCOX3X\ce{HCO3^-}. Esses compostos sofrem decomposição formando os respectivos carbonatos quando calcinados: 2NaHCOX3(s)ΔNaX2COX3(s)+COX2(g)+HX2O(g) \ce{ 2 NaHCO3(s) ->[$\Delta$] Na2CO3(s) + CO2(g) + H2O(g) } O óxido de cálcio, conhecido como cal viva, é produzido em enormes quantidades pela calcinação do carbonato de cálcio: CaCOX3(s)ΔCaO(s)+COX2(g) \ce{ CaCO3(s) ->[$\Delta$] CaO(s) + CO2(g) } Na calcinação de carbonatos de metais menos eletropositivos, como a prata, o óxido formado também se decompõe. Assim, o produto final da calcinação é o metal reduzido: AgX2COX3(s)ΔAgX2O(s)+COX2(g)2AgX2O(s)Δ4Ag(s)+OX2(g) \begin{aligned} \ce{ Ag2CO3(s) &->[$\Delta$] Ag2O(s) + CO2(g) } \\ \ce{ 2 Ag2O(s) &->[$\Delta$] 4 Ag(s) + O2(g) } \end{aligned} Na análise termogravimétrica, TGA, uma substância é aquecida e sua massa é medida em função da temperatura. Em uma curva de TGA como a da Fig. 1, a diminuição da massa da amostra é devido à ocorrência de reações de calcinação.

Curva de TGA para o oxalato de cálcio monoidratado, \ce{CaC2O4.H2O}, submetido a uma taxa constante de aquecimento.
Figura

Esse método é muito utilizado na identificação substâncias, pois a diminuição da massa na curva de TGA revela a ocorrência reações específicas, como a calcinação, além das relações entre as massas do composto e dos gases liberados em cada etapa do aquecimento.

Em uma análise termogravimétrica a substância é aquecida e sua massa é monitorada em função da temperatura.